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TEXTOS

 

 

 

Touros! Touros!

Flavio de Campos

 

O homem do Paleolítico fez muito mais do que simplesmente sobreviver. Suas pinturas rupestres (gravadas em rochas) de grandes animais encontradas na França, no norte da Espanha e, mais recentemente, em Portugal são vestígios importantes da atividade cultural do Paleolítico.

 

Em 1879, um arqueólogo espanhol escavava a caverna de Altamira, no norte da Espanha, quando sua filha, de 12 anos, olhos para o teto e gritou: "Touros! Touros!". Lá estavam pinturas de bisões, gamos e outros animais em vermelho e preto, datadas talvez de 20 mil a.C. Se resta-nos alguma dúvida para provar que os antigos seres humanos eram nossos iguais, isso seria o suficiente. Mas, no início, os arqueólogos do século XIX se recusaram a aceitar que imagens tão claras de mamutes, renas e bisões tivessem sido feitas por homens pré-históricos - um naturalismo que já revelava toda a habilidade humana. Muitos julgaram tratar-se de algum tipo de fraude.

 

Em 1902 foi reconhecido que esses desenhos e pinturas eram de fato pré-históricos e começaram a surgir as primeiras explicações sobre as imagens na pedra. Em primeiro, falou-se de arte pela arte. O s homens teriam sido levados a pintar por um "sentimento inato do belo". Depois sugeriu-se que os moradores dessas cavernas tinham práticas mágicas: os desenhos serviam para assegurar o sucesso da caça. Quando os artistas reproduziam animais cravados com uma lança, queriam que esse ato lhes proporcionasse sorte na caça; quando desenhavam um rebanho de animais, esperavam que isso tornasse a caça abundante. O historiador da arte E.H.Gombrich conta a seguinte história: "Certa ocasião, quando um artista europeu fez desenhos de animais numa aldeia africana, os habitantes mostraram-se angustiados: - Se levar consigo o nosso gado, de que é que iremos viver?". Numa caverna descoberta na França, em 1994, foram encontradas mais de trezentas pinturas de leões, lobos, panteras e outros animais. A maioria representando espécies que as populações do Paleolítico não caçavam, o que sugere que essas pinturas foram feitas com outros propósitos, talvez meramente decorativos, ou com diferentes intenções religiosas.
Na década de 60, pesquisadores tentaram enxergar quais eram as relações subjacentes à prática de ornar as cavernas. Foi sugerido um sistema no qual os animais teriam valores simbólicos: o bisão estaria associado à representação do feminino, o cavalo ao masculino, etc. Há ainda os que afirmam que os desenhos das cavernas têm uma estrutura, como se fosse uma linguagem.

 

Obras de Pablo Picasso

 

 

 

     


Estatística comparativa dos animais registrados em pinturas rupestres

em duas regiões da Europa


                 

 

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